“Algumas pessoas são realmente
hábeis em esconder sua dor”. Aquela menina de cabelos vermelhos e voz baixa leu
aquela frase e decidiu por não mais ser uma dessas pessoas.
Um dia a perguntaram em que se apoiava
quando o mundo parecia pesado demais. Ela não respondeu. Nunca tinha pensado a
respeito.
Foi a partir daí que questionou
do que vivia e descobriu a resposta na tristeza que se escondia na sua alegria,
nas lágrimas que ninguém enxergava através dos seus sorrisos, das cicatrizes
escondidas em sua pele, da ilusão que fazia questão de alimentar, da ilusão de
que finais felizes ainda eram possíveis.
Ela se viu cansada de situações
mal resolvidas, de colocar pontos finais em histórias que ainda não tinham sido
concluídas, de acreditar demais, da necessidade que possuía de substituir os
sorrisos, por vezes tão lindos e tão verdadeiros, por lágrimas, tão frias, tão
vazias. Sentiu-se contradizer em suas ideias, sentiu-se incerta.
Ela percebeu que quando escondia seus
sentimentos, entrava numa tentativa inútil de esconder algo de alguém que
sempre a reconheceria, daquela figura que sempre estaria em pé, na frente do
espelho às 7 horas.
Por mais que todos os sinais
gritassem, que a vida mostrasse que as contradições eram necessárias, ela se
sentia confusa, incapaz de acreditar nos seus próprios pensamentos, uma vez que
eram capazes de mudar de sentido na mesma velocidade que suas escolhas eram
capazes de se contradizer.
Ela sentia que morria a cada
dia que vivia e aceitou que é assim que tinha que ser, porque o engraçado em
viver, é que no final das contas ninguém termina vivo. Aceitou suas ideias, tão contraditórias e tão perturbadoras quando pensou no que seria do 'sim' sem o 'não'.
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