É tudo por causa dessa perturbação
na mente; uma névoa fina que nunca se dissipa, púrpura como deve ser o mais
obscuro pensamento. O que é essa mania de enxergar cor onde não tem? Projetar o
interior inquieto na materialidade é tão inato ao humano?
E uma imagem difusa se
movimenta...ondulando num ritmo próprio e discreto, gravada no subconsciente. Com
a fragilidade que só o inexistente tem. Nessa parede oculta reside a perfeição.
[...agonia de tocar a perfeição.]
De repente, se construindo em
forma mais fluida que oceano, o corpo tenta se manifestar. Mas permanece inútil
entre traços tão desajeitados. A coisa acredita que tem vida própria. E no fim
se frustra em seu descaminho, o ser vazio.
A beleza que eu vi? Onde está?
A imaginação é uma armadilha?
São essas mãos traiçoeiras?
[...mas, você não é artista!]
Num último apelo, emana o som da
criatura. Som que se confunde entre o pulsar de sua vida imitada e sua voz. Voz
escura, profunda como o poço da qual escapa, reverberando e crescendo por
infinitas paredes...é ao mesmo tempo grito e sussurro. Uma voz que canta sem música.
Mas eu lhe dou a música. Dou-lhe
o nome. Dou-lhe o mais parco sentido.
Se orgulhar do trabalho
frustrado, escapar na criação imperfeita...maldita esperança de artista.
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