segunda-feira, 5 de novembro de 2012

Criação


É tudo por causa dessa perturbação na mente; uma névoa fina que nunca se dissipa, púrpura como deve ser o mais obscuro pensamento. O que é essa mania de enxergar cor onde não tem? Projetar o interior inquieto na materialidade é tão inato ao humano?

E uma imagem difusa se movimenta...ondulando num ritmo próprio e discreto, gravada no subconsciente. Com a fragilidade que só o inexistente tem. Nessa parede oculta reside a perfeição.

[...agonia de tocar a perfeição.]

De repente, se construindo em forma mais fluida que oceano, o corpo tenta se manifestar. Mas permanece inútil entre traços tão desajeitados. A coisa acredita que tem vida própria. E no fim se frustra em seu descaminho, o ser vazio.

A beleza que eu vi? Onde está?
A imaginação é uma armadilha?
 São essas mãos traiçoeiras?

[...mas, você não é artista!]

Num último apelo, emana o som da criatura. Som que se confunde entre o pulsar de sua vida imitada e sua voz. Voz escura, profunda como o poço da qual escapa, reverberando e crescendo por infinitas paredes...é ao mesmo tempo grito e sussurro. Uma voz que canta sem música.

Mas eu lhe dou a música. Dou-lhe o nome. Dou-lhe o mais parco sentido.

Se orgulhar do trabalho frustrado, escapar na criação imperfeita...maldita esperança de artista.

Nenhum comentário:

Postar um comentário